quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

UM BEIJO


Desejo, esta é a palavra certa para o que eu mais queria agora... um Beijo teu.
Anseio sistematicamente pelo toque dos teus lábios, um toque divino, aveludado, quente e molhado.
É duro olhar-te, ver o movimento dos teus lábios e ter que ficar imóvel, ter que controlar este instinto animal, que seria agarrar-te e encostar minha boca na tua, beber dessa fonte que é a tua boca,tirar-te a respiração o mostrar todo o meu amor com um beijo, mas fico parado e limito-me a que só os meus olhos tenham o prazer de saborear esse doce pecado.
Pensar que já tantos te tocaram, tantos tiveram a graça de se refrescaram em tua boca, faz-me ficar louco de ciumes, imagino outros lábios nos teus, outra língua a acariciar a tua e o meu estômago começa logo a borbulhar. São pensamentos cruéis que me atormentam, pois mesmo que tenham sido antes de mim, já te provaram e sabem como é bom beijar-te.
Quantas vezes desejo passar a minha língua pelo teus lábios, ir de um canto ao outro deles e sentir a suavidade da tua pele, poder encostar a minha boca na tua e sentir o calor de um beijo teu, duas bocas unidas num só beijo e duas línguas entrelaçadas em uma só boca.
Perco-me nesse momento e deixo-me levar por ti, perco todas as minhas forças, falta-me a respiração e enquanto te beijo é como se vive-se um sonho, é como que o mundo pará-se para nos ver beijar, tudo muda com um simples trocar de lábios.
Um beijo é tudo o que te peço, um beijo eterno e prolongado, um beijo que me mate, pois não haverá melhor morte que morrer em teus lábios.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

ESPLANADA


Fim de tarde, e mais uma vez aqui me encontro nesta esplanada de frente para o mar. Poderia ser mais um fim de tarde como tantos outros mas hoje é diferente.
Antes de me sentar fico parado de livro na mão a ver o mar revolto ou não fosse hoje dia 15 de Dezembro, não é por ser o dia, mas pelo mês em questão, todos sabemos que o mar de inverno fica diferente é como se tivesse dupla personalidade...
Aqui sentado de frente para o mar, de livro na mesa e chávena de café na mão olho as pessoas em volta que por ali passam e tento imaginar um pouco das suas vidas.
Hoje dou-me a reparar numa senhora de meia idade, e fico a pensar qual será a sua história de vida, o que a levou até aqui hoje, será que tem filhos, netos, será solteira, viúva....
Não sei se serei o único a ter este tipo de pensamentos, mas gosto de pensar que não, ou iria-me sentir um extraterrestre. Mas voltando a senhora de meia idade, deixem-me que a descreva pois acho que merece ser imaginada com alguns detalhes, estatura media, um pouco gordinha, cabelo grisalho, roupa escura como qualquer outra senhora dessa idade e com um pequeno cão pela mão, voltada para o mar a ver a espuma das ondas em quanto o animal tenta desalmadamente prosseguir a caminhada.
Resta saber o que pensa enquanto observa o horizonte, uma história de vida que pelos meus olhos passou, se a voltarei a ver não sei, mas que me meteu a pensar, isso meteu.
Com tudo isto o fraco sol que se apresenta por estes dias já se foi deitar, isto se ele alguma vez hoje chegou a se levantar, e eu nem reparei. Pego no meu café que por esta hora está como o tempo frio, mas quem me manda perder-me com a vida alheia?!
Não era justo sair desta esplanada sem sequer ler uma única estrofe de um poema, aqui deixo a que li para que possa ser lida com o mesmo sabor e intensidade com que os meus olhos passaram por ela.

Beira-Mar
Mitológica luz da beira-mar
A maré alta sete vezes cresce
Sete vezes cresce o seu inchar
E a métrica de um verso a determina
Crianças brincam nas ondas pequeninas
E com elas em brandíssimo espraiar
Em volutas e crinas brinca o mar

Outubro de 1997 Sophia de Mello Breyner Andresen

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

NO TOPO DA ESCADARIA


Hoje acordei com uma sensação estranha.
Sinto-me pequeno e indefeso, como uma criança de dois anos, incapaz de me proteger a mim mesmo.
Vejo-te no cimo de uma longa escadaria a olhar para mim, eu desejoso de estar contigo, debato-me contra os degraus, que como um precipício me separa de ti.
Choro de raiva, de revolta, a muito esforço subo os primeiros degraus, olho para cima e vejo-te ainda longe, a olhar para baixo imóvel, um olhar de desprezo, gélido para quem anseia poder estar nos teus braços como uma criança nos braços da sua progenitora.
Há medida que debato-me para te alcançar, muita coisa me passa pela cabeça, principalmente o sentimento de impotência , é uma barreira muito grande que me separa de ti, varias vezes penso em desistir, mas para estar ao teu lado vou encontrando forças onde pensava que não existissem.
Não é fácil para mim passar para a outra margem, imagina-te numa ponte de madeira sobre um rio, uma ponte velha já sem algumas tábuas, e que tu tens que a passar, verias que não é nada fácil olhar para baixo e ver só água, é como me sinto a subir esta montanha interminável.
O que não me deixa desistir são as recordações que tenho contigo, o teu olhar doce e meigo, o teu sorriso que sacia a fome dos meus olhos, os teus braços que desejo tocar nem que seja por meros segundos para depois falecer neles, são estas lembranças que ainda me fazem arrastar neste calvário.
Sinto-me fraco, já mais de meios degraus estão percorridos, estas tão perto, mas longe ainda, estas como que um ser inanimado, eu com os olhos rasgados de água olho-te na esperança que me venhas socorrer, mas ali permaneces no topo da colina.
Olho para trás e só consigo pensar que se chegai ate aqui conseguirei ir ate ao fim, a minha cabeça assim diz, mas o meu corpo não obedece-lhe, arrasto-me para subir mais um degrau mas não consigo mais, dei tudo de mim para poder te alcançar, mas não foi suficiente, estou derrotado, fracassei, não tenho coragem de olhar para cima, não quero ver como me olhas, não quero ver o que pensas de mim agora que falta pouco mais que uma dúzia de degraus.
Agora percebo o choro de uma criança quando sente a falta da sua mãe, sinto-me igual aqui parado, só consigo chorar por não ter conseguido chegar a minha meta que eras tu, choro baixinho para que não tenhas pena de quem tudo fez e desejou para estar contigo.
O tempo parou, já não sei se aqui estou a minutos ou horas, mas aqui permaneço, quase inconsciente, até que.... uma mão quente me toca e puxa para si, uma ultima lágrima minha cai, mas quando levanto a cabeça vejo que és tu, abraças-me forte e carregas-me em teu colo.
As palavras faltam-me mas o teu beijo diz tudo.

Nunca desistirei de ti, lutarei até que o ultimo pingo de sangue seque em meu corpo, se perder e batalha e não vieres ter comigo, morro derrotado, mas feliz por ter conhecido ao teu lado o doce significado da palavra AMAR!

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

SONHAR


Sonha porque tas vivo,
Sonha porque faz bem,
Sonha porque sonhar liberta a alma.
Sonha enquanto poderes, sonha em qualquer idade, em qualquer hora, em qualquer altura.
Sonha de olhos abertos, com eles fechados, em pé, sentado ou deitado.
Sonha de noite, vive os sonhos da melhor forma, tira proveito deles, mergulha se poderes até ao mais profundo dessa imaginação.
Sê feliz por breves segundos, parecem horas, dias, mas acabam assim como começaram, quando acordares recorda-os com um doce sorriso e pensa que foi bom enquanto durou.
Se for possível sonha acordado, olha para tudo e imagina ao teu jeito, és tu que mandas no teu pensamento, transforma o impossível em possível e deixa que os teus olhos gritem vitória através do brilho do teu olhar.
Sonha, simplesmente porque faz bem fugir um pouco do mundo onde vives, sonha para te sentires capaz de viver mais um dia.
Sonha porque nos sonhos tudo é possível!!!!

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

VIVER NA SOMBRA DA MORTE


Hoje faço-te um pedido....

Quando eu morrer não chores a minha morte!
Nesse dia pensa que estou apenas a dormir um sono profundo e duradoiro.
Um sono em que estou a sonhar contigo, a recordar todos os segundos passados ao teu lado, cada caricia trocada contigo, cada beijo dado e saboreado.
Não chores a minha perda, os momentos que passamos juntos, esses já ninguém te os tira.
Não estarei contigo fisicamente, mas estou contigo nos teus lábios, nas tuas mãos, estou contigo no teu olhar, nele morro e volto a renascer todos os dias, estarei contigo no perfume do teu corpo, um perfume que já não sai da tua pele.
Claro que já não me vais poder ver, pelo menos não a tua frente, não sentiras mais o toque dos meus dedos no teu rosto, pelo menos não como estás habituada a sentir todos os dias antes de te olhar e dizer "AMO-TE".
Mas estarei no oculto, sim quando o vento te tocar, serei eu que passo as minhas mãos pelas tuas faces e te volto a acariciar, irás perceber que sou eu, quando o sol te bater na cara, serei eu que te estou a beijar, quando um pássaro cantar perto dos teus ouvidos, serei eu que estou a dizer que te amo.
Quando eu morrer não te sintas só, faz uma viagem de regresso ao passado, um passado em que foste feliz ao meu lado, um passado que vai merecer ser revivido por ti porque as memorias vão trazer-te recordações, cheiros, sons e sabores que estão guardados na tua mente e no teu coração.
Quando eu morrer deixa que eu morra sozinho tu terás muito tempo para vir ao meu encontro, não te mates lentamente, não tenhas pressa de vir ter comigo, pois teremos a eternidade toda para voltarmos a estar juntos.
Vive a tua vida, não te peço que me esqueças, até porque não o quero, mas tenta realizar alguns dos teus sonhos, e sempre que o conseguires, sorri para a vida e pensa que estarei a sorrir contigo, estarei alegre por ver como estás bem mesmo sem mim presente nessa nova vitoria da tua vida, não me verás, mas eu estarei a festejar contigo.
Eu serei o teu anjo da guarda, poderás falar-me todas as noites, não deixarei que nenhum mal se aproxime de ti, estarás sempre envolvida nos meus braços, poderás pensar que não te protegi contra isto ou aquilo, mas o mau poderia ser pior se não te agarrasse todos os dias, acho que com o tempo vais perceber a minha presença cada vez mais forte.
Se um dia por um segundo que seja me vires a tua frente, peço-te não tenhas medo, aproveita ao máximo esse segundo, serei a imagem da força do teu desejo de estar comigo, olha-me e vê como estou a tua espera. Se depois chorares, que essas lágrimas sejam de alegria e que o teu coração se aqueça com o calor da minha breve presença.
Quando fores velhinha, que serás uma velhinha linda, não tenhas medo de adormecer, sentiras que será a tua última noite nesta caminhada que é a vida, pensa que muitos te recordaram como me recordaste, e que ganharas uma nova vida, nessa noite virei buscar-te, verás como os anos afinal foram meras horas sem mim, enfim estaremos de novo juntos, corpo com corpo, alma com alma.
Irei mostrar-te as breves mas longas horas que viveste sem mim, irás ver nesta breve história da tua vida que sempre, sempre estive contigo.
Por fim as nossas bocas se tocaram novamente, e os nossos corpos mataram saudades um do outro, porque ninguém diga que um amor forte e verdadeiro não supera até a morte.


Devia ter sido assim, mas foste tu primeiro e tudo o que esperava que tu fizesses não fui capaz de fazer, mas numa coisa acredito, um dia vou perceber que afinal estes anos foram breves horas sem ti e acreditarei que na morte também pode haver vida...

terça-feira, 20 de setembro de 2011

A ESTRADA QUE ME LEVA AO TEU OLHAR


Caminhar na estrada do teu olhar, não é fácil.
Uma estrada tumultuosa onde caio mas levanto-me logo depois com a ânsia de chegar ao colo do teu olhar.
Caminho sem descanso, com persistência, na esperança de te poder alcançar.
Vem a chuva, vem o vento tudo para me fazer parar nesta caminhada em direcção a ti, mas as minhas pernas por mais que estremeçam não desistem de andar.
O meu coração acelera mais por cada passo dado, por cada quilometro percorrido, pois sente a tua presença cada vez mais perto.
Um perto que se faz longe, pois por mais passos que dê, nunca te alcanço, nunca te toco, nunca adormeço no teu olhar.
Uma estrada fria e desesperante, uma estrada interminável, uma estrada que eu sei que não tem fim, uma estrada que me vai levar a morrer de cansaço...
Caminho por ti, não desisto, tudo para poder olhar nos olhos, se tiver que morrer, morro sobre o teu olhar e talvez assim possa finalmente descansar em paz ao teu lado.
Caminho dia e noite porque quem ama não desiste do seu amor.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

CARTA


Querido Pai!

Sabes que ainda sou pequena e que não sei escrever uma carta como uma pessoa grande, mas a professora insiste que temos que escrever uma para o dia do Pai para te dar, desculpa se não ficar muito boa.
Quero te dizer que és o melhor pai do mundo, que gosto muito de ti.
Gosto quando vamos passear, quando me levas ao parque nas tuas cavalitas e depois brincas comigo no baloiço, fico sempre muito feliz por poder andar assim contigo, e por ver que és dos poucos pais que vão com os filhos ao parque, fico sempre muito contente.
Gosto quando vemos os desenhos animados juntos, tu fazes sempre umas caretas estranhas para me fazer rir e fazes-me muitas cócegas.
Lembro-me da noite em que foste apanhar pirilampos comigo, em que eu cai para cima de umas ervas que picavam e comecei a chorar, tu largaste tudo e vieste ao meu encontro, pegaste em mim ao colo e deste-me muitos beijinhos até eu ficar mais calma, nessa noite depois disseste a mãe que dormias comigo, e adormecemos abraçados um ao outro. Gosto muito quando dormimos juntos, apesar de tu dizeres que tenho que dormir sozinha.
Gosto quando tentas contar historias a noite antes de eu adormecer, não tens jeito nenhum, mas eu insisto sempre porque farto-me de rir com as coisas que inventas, nem a mãe conta histórias tão mal, mas eu gosto pai!
Obrigado por me mostrares que sou uma menina com muita sorte por ter os meus dois pais comigo, ter comida na mesa e alguns brinquedos, sei que existem meninos que não têm estas coisas, prometo que pelo Natal vou dar alguns brinquedos aos meninos que não tem com o que brincar, és tu que me ensinas como é o mundo aos olhos de uma criança.
Pai tanta coisa tinha para te dizer, mas uma vez ouvi já não sei bem onde, que muitas vezes uma imagem valem mais de 1000 palavras, por isso basta tu olhares para os meus olhinhos para veres como eles brilham sempre que me abraças quando vens do teu trabalho, são tão bons os teus abraços!
Olha não sei como acabam as cartas, por isso termino a minha para ti dizendo que amo-te muito e que gosto muito muito de ti.

Muitos beijinhos da tua princesinha :)




O pai também gosta muito de ti e tem muitas saudades tuas filha. Um dia estaremos de novo juntos a vou voltar a ver o brilho dos teus olhos e vou abraçar-te como fazia todos os dias.
Estás sempre comigo minha linda. Beijos com muita saudade deste pai que nunca te esquece.